A burguesia, chefiada por Álvaro Pais, e tendo do seu lado o povo de Lisboa, prepara então uma conspiração para matar o Conde Andeiro e escolhe D. João, Mestre de Avis, para executar essa tarefa.
O Mestre de Avis tinha fácil acesso ao Paço da Rainha uma vez que era filho (ilegítimo) do rei D. Pedro.
"O pajem do mestre de Avis começou a ir a galope em cima do cavalo em que estava, dizendo em altas vozes:
- Matam o mestre! Matam o mestre nos paços da Rainha. Acorrei ao mestre que o matam.
As gentes, que isto ouviram, saíram à rua a ver que cousa era (...) e começavam de tomar armas, cada um como melhor podia. (...).
Unidos num só desejo foram às portas do paço (...).
De cima não faltava quem dissesse que o mestre era vivo e o conde Andeiro morto. Mas isto não queria nenhum crer, dizendo:
- Pois se é vivo, mostrai-no-lo e vê-lo-emos!
Ali se mostrou o mestre a uma grande janela que vinha sobre a rua...
- Amigos, pacificai-vos! Cá eu estou vivo e são, graças a Deus!
- Matam o mestre! Matam o mestre nos paços da Rainha. Acorrei ao mestre que o matam.
As gentes, que isto ouviram, saíram à rua a ver que cousa era (...) e começavam de tomar armas, cada um como melhor podia. (...).
Unidos num só desejo foram às portas do paço (...).
De cima não faltava quem dissesse que o mestre era vivo e o conde Andeiro morto. Mas isto não queria nenhum crer, dizendo:
- Pois se é vivo, mostrai-no-lo e vê-lo-emos!
Ali se mostrou o mestre a uma grande janela que vinha sobre a rua...
- Amigos, pacificai-vos! Cá eu estou vivo e são, graças a Deus!
Fernão Lopes, Crónica de D. João I (adaptado)
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